A SEMA-MT registra alertas de supressão de vegetação sobre os imóveis rurais de Mato Grosso a partir de imagens de satélite. São 244.306 alertas na base que o Sentinela Rural organiza hoje — a mesma plataforma que cobre os 141 municípios do estado. O detalhe incômodo: o Estado enxerga o imóvel antes do dono. Na prática, muito produtor só descobre que existe um alerta sobre a própria fazenda quando chega uma notificação, quando o banco trava o crédito rural ou quando o comprador da soja roda a due diligence dele.
A pergunta certa vem antes de tudo isso: existe alerta da SEMA-MT sobre o meu imóvel? A resposta sai em segundos, grátis, informando só o número do CAR.
O que são os alertas da SEMA-MT
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT) mantém sua própria base de alertas de supressão de vegetação, detectados por sensoriamento remoto — em paralelo aos sistemas federais como o DETER (INPE) e o MapBiomas Alerta. Cada alerta traz tipo, data de emissão, área em hectares e o polígono exato da mudança identificada na cobertura vegetal.
É essa base estadual que a consulta cruza com o perímetro do seu CAR: se algum alerta intercepta o imóvel dentro da janela de consulta, ele aparece.
Alerta não é infração — e essa distinção muda a leitura
Aqui está a diferença entre leitura leiga e leitura técnica: um alerta não é uma infração. O alerta registra apenas que houve mudança na cobertura vegetal em determinada área e data — nada além disso. Essa supressão pode estar autorizada: uma ASV (Autorização de Supressão de Vegetação) vigente, um AUTEX de exploração florestal, um PMFS (Plano de Manejo Florestal Sustentável) em execução ou uma AQC (Autorização de Queima Controlada) produzem no satélite o mesmo sinal que um desmatamento ilegal. Existem ainda os falsos positivos: sombra de nuvem, reforma de pastagem, colheita.
O que transforma um alerta em problema — ou em nada — é o cruzamento com as autorizações vigentes e o contexto do imóvel. Esse cruzamento é trabalho de responsabilidade técnica, não de pânico. Tratar todo alerta como flagrante é tão errado quanto ignorá-lo: o primeiro erro gera alarme falso, o segundo deixa um passivo crescer em silêncio.
Passo a passo: a consulta grátis
- Acesse a consulta de alertas SEMA-MT.
- Informe o número do CAR do imóvel — o federal (MT-XXXXXXX-…) ou o estadual da SEMA-MT (MT…/ANO); a consulta resolve o código estadual pro federal automaticamente.
- Em segundos, a tela mostra os alertas que interceptam o perímetro do imóvel — tipo, data de emissão e área em hectares de cada um — na janela dos últimos 24 meses.
Sem cadastro pago, sem cartão. A consulta é gratuita.
Deu alerta: dois caminhos
1. Shapefile do alerta — R$ 75. Pra quem trabalha com consultor ambiental ou GIS: cópia fiel do dado, com todos os vértices do polígono, em EPSG:4674 (SIRGAS 2000, o padrão do CAR). Abre direto no QGIS ou ArcGIS pra sobrepor com ASV, AUTEX, área consolidada, APP e reserva legal. O dado é público — o valor remunera a organização da base, o recorte por imóvel e a entrega do arquivo pronto pra uso. Assinantes da plataforma têm 1 download incluso.
2. Relatório completo — o primeiro é grátis. Pra entender o contexto antes de decidir qualquer coisa: o Sentinela Rural gera em ~4 minutos um relatório de 30–40 páginas cruzando ~76 bases públicas (CAR/SICAR, PRODES e DETER do INPE, MapBiomas, embargos do IBAMA e da SEMA-MT, SIGEF/INCRA, unidades de conservação e terras indígenas, entre outras). O relatório situa o alerta: coincide com autorização? Sobrepõe embargo? Cai em APP? O primeiro sai grátis, sem cartão; os seguintes custam R$ 60.
Não deu alerta: mantenha assim
Tela limpa hoje não garante tela limpa amanhã. O monitoramento contínuo do Sentinela Rural acompanha o imóvel e avisa por e-mail ou Telegram quando surge foco de queimada (INPE), alerta de desmatamento (DETER e MapBiomas) ou embargo novo — antes que vire surpresa em banco, cartório ou fiscalização. Planos a partir de R$ 99/mês.
De onde vêm os dados
Os alertas são da SEMA-MT, detentora dos dados de monitoramento do estado. O Sentinela Rural organiza e disponibiliza esse dado público em formato consultável por CAR, com atualização contínua. A janela de consulta cobre os últimos 24 meses. Somados, os alertas da base cobrem 10.865.281 hectares detectados no estado — abrindo por classe: cerca de 9,6 milhões de ha (88%) são cicatriz de queimada, 347,6 mil ha, desmatamento por corte raso e 290 mil ha, corte seletivo; o restante se distribui em outras classes de detecção. A abertura por classe importa: queimada e supressão são eventos de natureza distinta — mais um motivo pra ler alerta com critério técnico, e não como um número único.
Perguntas frequentes
A consulta custa alguma coisa?
Não. Informar o CAR e ver os alertas é grátis. Paga apenas quem quiser o shapefile (R$ 75) ou os serviços da plataforma.
Ter alerta significa que vou ser multado?
Não. Alerta é detecção por satélite, não autuação. A supressão pode estar autorizada (ASV, AUTEX, PMFS, AQC) ou ser falso positivo. O caminho correto é verificar o contexto com apoio técnico — não presumir infração.
Até quando a consulta volta no tempo?
A janela cobre os últimos 24 meses. A base é atualizada continuamente, sempre mantendo essa janela.
O shapefile abre no meu software de GIS?
Sim. É shapefile padrão, EPSG:4674 (SIRGAS 2000), cópia fiel do dado com todos os vértices. Compatível com QGIS, ArcGIS e afins.
Leia também: a plataforma que gera o relatório ambiental pelo CAR em ~4 minutos · o panorama ambiental dos imóveis rurais de MT em números.
Consulte agora, grátis: sentinelarural.mariottiregen.com.br/alertas-sema
Paulo Mariotti é engenheiro florestal (CREA-MT), fundador da Mariotti Regen (Cuiabá-MT) e do Sentinela Rural. Contato: contato@mariottiregen.com.br.