Quem precisa de uma resposta sobre a Reserva Legal raramente pode esperar. O banco quer saber agora, o comprador quer saber antes de assinar, o advogado quer saber antes de responder uma notificação. E o CAR, que deveria dar essa resposta, está na fila de análise estadual.
A pergunta prática é: o que dá para saber hoje, sozinho, e com que grau de confiança?
Por que o CAR sozinho não responde
O CAR é declaratório. Quem desenhou o perímetro, a Reserva Legal e as áreas de uso foi o próprio proprietário ou o técnico dele. Isso não é defeito do sistema — é o desenho dele: cadastra-se primeiro, analisa-se depois.
A consequência é que, antes da análise, o que existe no CAR é uma proposta. Por isso nenhum parecer técnico sério escreve “o imóvel atende à Reserva Legal”. O máximo que se pode dizer é que ele alcança o percentual declarado — e que a confirmação depende do órgão.
O que dá para medir antes, e com que confiança
Mesmo sem a validação do estado, boa parte do diagnóstico pode ser feita com base pública, porque não depende de interpretação do órgão — depende de geometria e de data.
Alta confiança. O número é o número:
- Área real do imóvel, recomposta pela geometria do polígono em vez do valor declarado. Divergência entre a área do shapefile, a da matrícula e a do CAR é rotina.
- Percentual de Reserva Legal exigido, aplicando 80%, 35% e 20% sobre cada fitofisionomia que incide no imóvel — e não um único percentual sobre o total.
- Sobreposição do perímetro com unidade de conservação, terra indígena, assentamento, gleba pública ou outro CAR, com a área de cada interseção.
- Embargos do IBAMA e da SEMA-MT que caem dentro do imóvel.
- Alertas de desmatamento da SEMA-MT, com data e área.
Confiança média. O indício é forte, a conclusão não é automática:
- Vegetação nativa remanescente, medida por sensoriamento remoto. Serve para estimar o saldo de Reserva Legal, mas a escala e a data de referência de cada série impõem limites — degradação não é corte raso, e o cerrado engana na estação seca.
- Separação do passivo entre antes e depois de 22/07/2008. É o número que decide se o caminho é o art. 66 ou o art. 17, e sai do cruzamento das séries históricas. É um indício robusto, e ainda assim um indício.
- Indicação de isenção pelo art. 67, para quem tinha até quatro módulos fiscais em 2008 — lembrando que o módulo a considerar é o daquela data.
Não dá para saber sem o órgão:
- se a Reserva Legal proposta vai ser aprovada na localização em que foi desenhada;
- se uma supressão sem cruzamento com autorização é mesmo irregular — a ausência de cruzamento significa autorização não localizada, não inexistente;
- se haverá autuação. A lavratura é privativa da autoridade ambiental.
Por que isso basta para decidir
Na maior parte das decisões reais, o que está em jogo não é a certeza jurídica final — é a ordem de grandeza. Saber se o déficit é de 30 ou de 3.000 hectares muda o preço da fazenda, muda a garantia que o banco aceita, muda se vale contratar projeto de compensação e muda o que se responde numa notificação.
E há um caso em que o diagnóstico antecipado vale ainda mais: quando o número aponta que não há passivo. Chegar à conversa com o comprador ou com o banco já sabendo disso, com os mapas na mão, é diferente de dizer que se acredita estar tudo certo.
Como fazer
O Sentinela Rural parte do número do CAR e cruza as bases públicas oficiais — SICAR, SEMA-MT, IBAMA, INCRA/SIGEF, PRODES, DETER, MapBiomas, unidades de conservação, terras indígenas e embargos — devolvendo o relatório em poucos minutos, com os números, os mapas e a fundamentação legal de cada apontamento. Cada fonte vem com data-base, e cada limite do método está declarado no documento.
Criar a conta dá R$ 60 de saldo e o relatório por CAR custa R$ 60, sem mensalidade. Quando o trabalho precisa de responsável técnico, a ART sai sob demanda, assinada por engenheiro com CREA-MT.
Para olhar junto um caso concreto, fale com a Mariotti Regen pelo WhatsApp (65) 99953-6748 ou por contato@mariottiregen.com.br.
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Perguntas frequentes
O CAR vale como comprovação de regularidade ambiental?
Não por si só. O CAR é declaratório e precisa passar pela análise do órgão ambiental, que em Mato Grosso ocorre no SIMCAR. Antes disso, o que consta é uma proposta do próprio declarante.
Dá para calcular o déficit de Reserva Legal sem a validação do estado?
Dá para estimar com boa confiança, cruzando a geometria do imóvel, a fitofisionomia e a vegetação remanescente medida por sensoriamento remoto. O resultado é indício técnico e não substitui a decisão do órgão ambiental.
Um alerta de desmatamento significa que houve infração?
Não. Alerta é indício técnico. A caracterização da infração e a lavratura do auto são privativas da autoridade ambiental.
Por que separar o passivo antes e depois de 22 de julho de 2008?
Porque o déficit existente naquela data segue o art. 66 do Código Florestal, com recomposição, regeneração ou compensação. A supressão posterior sem autorização é infração autônoma e exige recomposição, na forma do art. 17, §§3º e 4º.
Em quanto tempo sai o relatório?
Em poucos minutos a partir do número do CAR, com os mapas e a fundamentação de cada apontamento. A ART, quando necessária, é emitida sob demanda por engenheiro com CREA-MT.